干支 · Lendas do Japão

O Conto do Tigre

Lenda do eto · 3º dos doze
A travessia, cena a cena — arraste →
Cena 1

Pintores estudam peles importadas e gatos domésticos, sem jamais ver um tigre.

Cena 2

Nascem os tigres magníficos e levemente felinos dos biombos dos museus.

Cena 3

Em Kurama, dois tigres de pedra guardam a porta: um de boca aberta, outro fechada.

Cena 4

A-un: o início e o fim — mensageiros de Bishamonten, o guardião do templo.

O Conto

Conta-se no Japão que os grandes pintores dos séculos passados retratavam tigres sem jamais ter visto um: estudavam peles importadas e observavam gatos domésticos — e disso nasceram os tigres magníficos e levemente felinos dos biombos que hoje habitam museus. Mas o tigre japonês tem também posto de guarda: no templo de Kurama, nas montanhas ao norte de Quioto, quem recebe o visitante não são os cães-leões habituais, e sim um par de tigres de pedra — a-un no tora, um de boca aberta, outro de boca fechada, o início e o fim de todas as coisas. A tradição os liga a Bishamonten, o guardião protetor do templo, de quem o tigre é mensageiro. Há quem leia nisso uma lição serena: não é preciso ter visto a coragem de perto para reconhecê-la — e lhe confiar a porta.

Por que é assim

Os grandes pintores japoneses retratavam tigres sem jamais ter visto um — estudando peles importadas e gatos domésticos —, e ainda assim nasceram tigres magníficos nos biombos. A tradição japonesa lê no eto do Tigre a coragem imaginada e venerada: não é preciso ter visto a bravura de perto para reconhecê-la.

No templo de Kurama, um par de tigres de pedra guarda a porta — a-un no tora, um de boca aberta, outro de boca fechada, o início e o fim de todas as coisas —, mensageiros de Bishamonten. À coragem imaginada, confia-se a entrada.

Curiosidades

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