Em Nikkō, um entalhe do século XVII ficou mais famoso que muitos tesouros: três macacos.
Um cobre os olhos, outro os ouvidos, outro a boca.
Mizaru, kikazaru, iwazaru — o trocadilho zaru ecoa saru, macaco.
Guardiões do estábulo sagrado: um manual de convivência entalhado com humor.
O Conto
Conta-se no Japão que, no santuário de Tōshōgū, em Nikkō, um entalhe do século XVII ficou mais famoso que muitos tesouros: três macacos, um cobrindo os olhos, outro os ouvidos, outro a boca. São mizaru, kikazaru, iwazaru — não ver, não ouvir, não falar —, e o nome de cada um esconde o mesmo trocadilho: zaru ecoa saru, macaco. O entalhe decora, não por acaso, o estábulo sagrado: o macaco era tido como guardião dos cavalos e espantador de males. A lição original é mais fina do que parece — não é sobre fechar-se ao mundo, mas sobre o que se escolhe deixar entrar: não ver o que corrompe, não ouvir o que envenena, não falar o que fere. Há quem leia nos três macacos um manual inteiro de convivência — entalhado, com humor, na madeira de um estábulo.
Por que é assim
Em Tōshōgū, em Nikkō, três macacos — não ver, não ouvir, não falar — ficaram mais famosos que muitos tesouros. Mizaru, kikazaru, iwazaru: cada nome esconde o trocadilho zaru/saru, macaco. A tradição japonesa lê no eto do Macaco a inteligência que brinca e protege.
O entalhe decora o estábulo sagrado — o macaco era guardião dos cavalos e espantador de males. A lição é fina: não é fechar-se ao mundo, mas escolher o que deixar entrar — não ver o que corrompe, não ouvir o que envenena, não falar o que fere.
Curiosidades
- Ramo terrestre: 申 (shēn) — o nono dos doze.
- Hora dupla: 15h–17h, o meio da tarde.
- Elemento fixo: Metal, polaridade Yang.
- Direção e estação: Oeste-sudoeste, começo do outono.
- Zodíaco japonês: 申 · leitura saru — o eto do Macaco.
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